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"É momento de o poder público priorizar a construção como alavanca para enfrentar e resolver os desafios sociais do Brasil", diz CBIC

Mais de 6,2 milhões de famílias vivem em residências inadequadas ou não têm moradia no Brasil. 

construção
16 de Julho de 2024

04/04/2024
Por: AGÊNCIA CBIC - 03/04/2024

A atualização do déficit habitacional, com dados de 2022, foi divulgada pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), nesta quarta-feira (3), em coletiva de imprensa realizada em São Paulo. De acordo com a entidade, seriam necessários R$ 961 bilhões de investimento para solucionar a carência de domicílios no país.

O déficit registrado em 2022 teve aumento de 5% em relação a 2019, quando chegou a 5,8 milhões de domicílios, segundo dados da Fundação João Pinheiro. Para os próximos 10 anos, o estudo da CBIC mostrou que a demanda por novas habitações deve chegar a mais 6,5 milhões de novas moradias.

“A sociedade brasileira convive há muitos anos com carência de habitação, saneamento, estrada. Precisamos aproveitar o movimento de programas como o PAC, Minha Casa, Minha Vida, Nova Indústria Brasil para avançarmos e resolvermos esses gargalos sociais. Quando se investe em construção há o retorno econômico, com aumento de arrecadação, do PIB, geração de empregos. Mas há também o retorno social, com a dignidade e cidadania das famílias”, apontou o presidente da CBIC, Renato Correia.

O levantamento mostrou que cerca de 75% do déficit atual, quase cinco milhões de moradias, estão concentrados na faixa 1 do Minha Casa, Minha Vida (MCMV), que considera famílias com renda até R$ 2.640,00. O valor médio das habitações para esta faixa de renda é de R$ 135 mil.

Ieda Vasconcelos, economista da CBIC responsável pelo levantamento, destacou que o volume de recursos anunciado para o MCMV no período de 2023 a 2026, somado às contrapartidas, resulta em R$ 394 bilhões, apresentando um gargalo de mais de R$ 567 bilhões para alcançar o investimento necessário para suprir a escassez atual de moradias.

De acordo com o vice-presidente de Habitação de Interesse Social da CBIC, Clausens Duarte, o estudo reforça a importância para que as autoridades reconheçam que, apesar da situação fiscal desafiadora, os recursos necessários para sanar o déficit também podem ser mobilizados a partir da parceria com a iniciativa privada. Para ele, no entanto, isso requer a melhoria na segurança jurídica, garantindo um ambiente de negócios mais propício para os investimentos. “O desafio de garantir moradia digna é de todos, é do país. E a parceria com a iniciativa privada pode contribuir com os recursos necessários para enfrentarmos esse desafio. Mas é preciso maior segurança empresarial para um ambiente de negócios mais atrativo aos investimentos”, disse.

A CBIC apresentou o impacto na economia do país caso o recurso total necessário para sanar o déficit fosse injetado na produção de novas moradias. Segundo Ieda, o valor aumentaria o PIB da construção em R$ 444 bilhões e elevaria a arrecadação de tributos em mais de R$ 507 bilhões, considerando os efeitos diretos, indiretos e induzidos. Seriam criados mais de 4,4 milhões de novos postos de trabalho na construção e mais de 12,5 milhões de novos empregos na economia, considerando outras atividades impactadas pelo crescimento da construção.

“Sabemos que um aporte único desse montante é pouco provável. Mas nosso intuito é mostrar o forte impacto na economia, que alcançaria um incremento de 10% sobre o PIB”, contou a economista.

De acordo com o presidente da CBIC, investir na construção gera uma retroalimentação na economia, já que o recurso destinado a obras gera emprego, renda para a população e garante moradia, mobilidade e saneamento. Para ele, a construção é a única atividade econômica capaz de agregar a melhoria do ambiente de investimento com a redução da desigualdade social.

 “A construção consegue fazer o casamento perfeito da competitividade da economia com a inclusão social. O que nós entregamos não é um recurso que vai e não volta. O efeito de se investir na construção é muito grande, com geração de novos postos de trabalho, mais famílias conquistam sua casa própria e cidadania, melhora a infraestrutura urbana das cidades e garante ao setor produtivo os instrumentos necessários para manter a economia girando. Habitação e infraestrutura reduzem o passivo social e ainda trazem os ganhos pelo aumento dos investimentos. É momento de o poder público priorizar a construção como alavanca para enfrentar e resolver os desafios sociais do Brasil”, disse.

Infraestrutura

O tamanho do déficit de infraestrutura do Brasil também foi apresentado no levantamento da CBIC. A entidade considerou os níveis ideais de investimento estimados pelo Banco Mundial e pela Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústria de Base (ABDIB).

Para o Banco Mundial, o investimento ideal em infraestrutura é de 3,7% do PIB do país ou cerca de R$ 403 bilhões. A ABDIB destaca que o recurso para infraestrutura deve chegar a 4,31% do PIB ou quase R$ 470 bilhões. A média de investimento do Brasil, no entanto, foi de 1,96% ou R$ 213 bilhões, em 2023, resultando em um hiato de R$ 197 bilhões em referência ao valor apontado pelo Banco Mundial e de R$ 258 bilhões com o ideal estimado pela ABDIB.

A CBIC apresentou uma projeção de impacto na economia, caso fossem aplicados esses valores complementares na infraestrutura do Brasil por dez anos. O investimento de R$ 197 bilhões ao ano adicionaria R$ 58 bilhões à arrecadação tributária do país e resultaria na criação de 915 mil novos postos de trabalho. Já o investimento de R$ 258 bilhões ao ano pelo mesmo período geraria mais de 1,2 milhão de empregos e adicionaria 1,1% do PIB.

O estudo mostrou que o transporte registra a maior distância entre o ideal de investimentos e o montante aplicado no setor. Para o Banco Mundial, o investimento ideal seria de R$ 213 bilhões em transporte. A ABDIB avalia que o ideal é aplicar R$ 246 bilhões. Contudo, o Brasil aplicou apenas R$ 41 bilhões em 2023.

Os R$ 204 bilhões de investimento em transporte ao ano por dez anos, fruto do hiato referenciado pela ABDIB, resultaria em mais de 952 mil novos postos de trabalho gerados e uma arrecadação adicional de R$ 60 bilhões.

É importante criar condições para diminuir o Custo Brasil, alertou o vice-presidente de Infraestrutura da CBIC, Carlos Eduardo Lima Jorge. “O Novo PAC é um caminho para o desenvolvimento, mas sinaliza a preocupação de que o recurso destinado não será o suficiente para cumprir a meta projetada. O país carece de uma melhor estruturação para melhorar o ambiente de negócios e estimular o investimento privado”, disse.

Taxa de investimento

O estudo apontou a perda de participação da construção na taxa de investimento do país nos últimos anos, mantendo-se inferior à média mundial. De acordo com o levantamento, houve um pico de investimentos em 2013 e um recuo a partir de 2014. Em 2022, a taxa média de aplicação no setor da América Latina e Caribe era de 20,4%. No Brasil, a taxa chegou somente 17,8% de investimento.

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